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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

TODOS: Cruzamento dos povos que habitam a cidade

Melech Mechaya

TODOS…
Não é um festival, é um convite para caminhar, Passear por um dos bairros mais antigos de Lisboa, Palmilhar S. Domingos, Martim Moniz, Intendente, Mouraria e Anjos, para passar a conhecê-los como a palma da mão.Um fim-de-semana para: cortar o cabelo num cabeleireiro chinês, ou africano, dançar como em Bollywood, ou na Moldávia, vestir um sari, descansar na rua da Palma, comer carne Halal, muamba, makoufe, ouvir cânticos ucranianos da antiguidade, deitar-se a céu aberto e, com roupa usada, desenhar continentes, calibrar os pneus do carro a preços convidativos…

TODOS propõe ao longo de quatro dias um contacto com as culturas que habitam esta zona da cidade através das músicas, das religiões, das comidas, do comércio e das pessoas. Passeios a pé levam o público a conhecer uma pessoa na sua própria casa, a descobrir uma escadaria de azulejos à luz da vela, uma mesquita onde só os homens poderão entrar, ou lições de culinária com ida prévia às compras.
A substituir a publicidade urbana de grande formato, o fotógrafo francês Georges Dussaud instala nas paredes vazias dos edifícios imagens novas de uma população fulgurante oriunda de vários pontos do mundo, que vive nas sombras do bulício da cidade. Concertos multiculturais no largo do Intendente e Martim Moniz, uma fanfarra oriental pelas ruas da Palma, Benformoso e ruelas da Mouraria, filmes documentais que falam de realidades "invisíveis" que existem no coração das cidades, pequenas peças de teatro, dança e música instaladas em lojas e associações culturais que se dão a conhecer em salas referenciais do bairro.
TODOS é um momento de uma festa internacional com enfoque nos países das pessoas que vivem nesta zona da cidade. TODOS é um espaço de reconhecimento e celebração de uma Lisboa outra e nova que devemos incluir definitivamente na nossa identidade urbana.
Um programa que se desenha num jogo informal de diálogos culturais, encontros entre moradores e artistas, vivificação de espaços, trocas entre culturas, encontros entre tradições portuguesas e estrangeiras. Um programa que se faz de eventos maiores de rua e de acontecimentos mais pequenos que ligam o público à comunidade e aos artistas convidados. Lojas, restaurantes, cabeleireiros, lugares de culto e associações tornam-se também protagonistas nesta caminhada que se deseja festiva. Caminhada para o cruzamento dos povos que habitam a cidade e que são também afinal lisboetas.

Consultar programa aqui:

http://todoscaminhadadeculturas.blogspot.com/

domingo, 30 de agosto de 2009

O preço da política sem ética..Quem paga? Os lisboetas.

Este post já foi aqui publicado. Com a sua re-publicação pretende-se lembrar o papel da Assembleia Municipal (da qual se exclui Paula Teixeira da Cruz) na Reabilitação Urbana de Lisboa. A coligação partidária dominante (PPD/PSD) "governou" a cidade em função da sua agenda política, sem sombra de sentido ético, num profundo desprezo pelo direito das populações a uma vida (con)digna. Em tempo de promessas eleitorais, é bom lembrar como estas forças serviram a cidade e o país...
31-07-2009 A primeira medida do futuro executivo
Aprovar o Programa de Investimento Prioritário de Apoio à Reabilitação Urbana será a primeira medida do futuro executivo da Câmara Municipal de Lisboa, liderado por António Costa. O anúncio foi feito ontem pelo próprio António Costa na sua intervenção na festa de apresentação dos candidatos UNIR LISBOA.
No coração de Alfama, um dos bairros-mártir do falhanço clamoroso das políticas de reabilitação urbana de Pedro Santana Lopes, António Costa foi claro em definir a sua primeira medida como futuro presidente da CML. Trata-se afinal de ultrapassar o bloqueio provocado pelo chumbo que o PPD/PSD impôs na Assembleia Municipal a este programa de emergência que visa concluir as obras de reabilitação urbana lançadas por anteriores executivos, de forma irresponsável, e que acabaram por abandonar por falta de dinheiro para a sua execução.
(...) Recorde-se que Paula Teixeira da Cruz, a presidente da actual AML, foi a única deputada municipal do PSD que votou favoravelmente a proposta, distanciando-se da irresponsabilidade manifestada pela bancada do PPD/PSD (...)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Como criar um modelo de Governação eficiente, participado e financeiramente sustentado?

Os Desafios da Cidade
A cidade de Lisboa encontra-se hoje confrontada com uma série de grandes desafios, que se estendem por múltiplas dimensões. Entre outros, a revitalização dos seus bairros, as múltiplas questões do foro social, os desafios colocados às suas bases de competitividade e de emprego, os desafios ambientais, a necessidade de afirmação de um novo tipo de urbanismo.
(...)
A Justificação para a Mudança
(...) Tem-se assim sedimentado em Lisboa – tanto a nível político como a nível social – a necessidade de se repensar profundamente os modelos de governação da cidade, e da respectiva administração dos bens, serviços e espaços públicos – não só nos âmbitos organizacionais e de competências das estruturas orgânicas da CML e das Juntas de Freguesia, mas inclusivamente a níveis de possíveis reordenamentos de ordem político-institucional mais abrangente. (...)
Dimensões propostas para debate na carta estratégica de Lisboa (6ª questão)
1. Administração
1.1. A Centralidade e a Capitalidade de Lisboa: Papel e Responsabilidade no Centro da Metrópole e do País
1.2. Organização, Competências e Cultura Administrativa para uma Estrutura Municipal Moderna e Eficaz
1.3. Os Governos de Proximidade em Lisboa: Distritos Urbanos, Freguesias, Urbanismo e serviços públicos de proximidade e Gestão Municipal
2. Governança
2.1 As Redes de Governança em Lisboa: Parcerias, Conselhos, Cooperação e Subsidiariedade
2.2 A Cidade Participativa: Participação, Co-Responsabilidade e Cidadania
2.3 Governança em Lisboa face à sua Capitalidade, à sua Centralidade e à sua Proximidade
3. Capital Sócio-Cultural
3.1 O Capital Sócio-Cultural de Lisboa: Bairros, Identidade, Informação e Conhecimento, Elites, Associativismo, Governança, Cidadania.
3.2 Lisboa como Comunidade, as Comunidades de Lisboa. As escalas do capital sócio-cultural.
4. Recursos para uma Governação Moderna e Eficaz
Temas Centrais
4.1 Uma ‘Carta de Lisboa’? Princípios e Direitos na Cidade
4.2 Recursos Humanos, Recursos e Sustentação Financeira para a Boa Governação Urbana, em clima de Crise Económica e Austeridade Fiscal
João seixas
Ler texto integral aqui

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Áreas de reabilitação urbana: respeitar os residentes e acolher os novos habitantes

As áreas de reabilitação urbana têm de ser programadas e ordenadas como áreas com identidade própria, que contribuam para a diversidade do tecido urbano, mas igualmente como áreas concorrentes nas suas funções e actividades com as demais áreas urbanas, consolidadas ou em consolidação;
As áreas de reabilitação urbana têm de encontrar, dentro da sua singularidade, a sua vocação numa perspectiva de competitividade urbana solidária, acolher a multifuncionalidade e compactação, afirmar a sua centralidade nas redes de mobilidade;
As áreas de reabilitação urbana têm de respeitar os residentes e acolher os novos habitantes, reforçando o sentimento de comunidade;
As áreas de reabilitação urbana devem constituir escolas de formação e prática cívica - o papel dos equipamentos de ensino e segurança social é central, e a sua localização deve ser privilegiada;
As áreas de reabilitação urbana devem ser modelos de criatividade e qualidade urbana, incluindo os seus serviços urbanos.
Só assim, pela afirmação da sua viabilidade competitiva com as demais áreas urbanas e da sua qualidade, a reabilitação urbana será uma realidade consequente e impulsionadora da cidade do futuro - uma cidade sustentável, compacta, coesa, com uma identidade enriquecida pela sua diversidade e sentido de perenidade.
Pelas competências que detêm e lhes são atribuídas neste diploma, os municípios são os grandes dinamizadores da reabilitação urbana e responsáveis pela sua operacionalização numa visão integrada de desenvolvimento e ordenamento do seu território. Compete-lhes, com inteligência, face aos objectivos da reabilitação urbana, definir a estratégia das ARU e a delimitação das unidades de intervenção em articulação coerente com as demais intervenções no território, e não como programas autónomos.
Vassalo Rosa