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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

...é para estar com os outros

Não conhecia Raúl Solnado. Cruzei-me com ele duas vezes: uma na linha azul do Metro. outra na apresentação de candidatura de António Costa. Nunca o vi ao vivo em teatro, mas recordo gravações e prestações televisivas. Também o vi no filme de Fonseca e Costa sobre o crime da Praia do Guincho, baseado no livro de Cardoso Pires. Notável. Dizem que era um prazer estar com ele. Acredito.
Uma vez ouvi-o dizer que lia para poder conversar com os amigos. Achei uma curiosa demonstração de curiosidade intelectual. E concordo em absoluto com Raúl Solnado. Afinal, para que é que a gente faz seja o que for? É para estar com os outros. A literatura é uma excelente maneira de estimular convívio. Obrigado, Raúl.
José Teófilo Duate, BlogOperatório

sábado, 8 de agosto de 2009

É uma grande figura cultural que desaparece

Quando eu era menina, toda a família acorria a postar-se ao redor da rádio, quando dava o Raul com a história da «ida à guerra», e a outra que começava «O meu pai, que era um homem incapaz de impor a sua vontade fosse a quem quer fosse, um dia chamou-me e disse-me: 'Meu filho, quer queiras quer não queiras, tens de ser bombeiro v«e»luntário'
Ouvimos essas histórias centenas de vezes, tal era o poder comunicativo do intérprete, o efeito cómico e a capacidade de, em pleno salazarismo, transmitir a velada mas sensível crítica ao regime através de pensadas entoações, que alcançavam todas as classes sociais.
Depois, foi a sua interpretação no filme «Dom Roberto», inesquecível. E tantas coisas mais.
É uma grande figura cultural que desaparece.
Fico mesmo muito triste.

Maria Alzira Seixo