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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Uma vírgula no tempo - Raul Solnado

Eduardo Luís

Um Vazio no Tempo” , texto escrito por Raul Solnado

“Numa das últimas vezes que estive na Expo de Lisboa, descobri estranhamente uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos corridos. Nada mais tinha. Não existia qualquer sinal religioso e por essa razão pensei que tinha descoberto que aquele espaço se tratava de um templo grandioso.
“Quase como um espanto, senti uma sensação que nunca sentira antes e, de repente, uma enorme vontade de rezar não sei a quê ou a quem. Fechei os olhos, apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a pensar uma emoção rara, um silêncio absoluto e tudo o que pensava só podia ser trazido por um Deus que ali deveria viver e que me ia envolvendo no meu corpo amolecido. O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante, naquela serenidade, naquela paz.
“Quando os meus olhos se abriram, aquele meu Deus tinha desaparecido em qualquer canto que só ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu, e quando saí daquela porta, corri para a beira do Tejo para dar um berro de gratidão com a minha alma e sorri para o Universo.
“Aquela vírgula no tempo, foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a minha vida, que me fez reencontrar, e que me deu a esperança de que num tempo que seja breve, me volte a acontecer.
“Que esse Deus assim queira.”

Raul Solnado

sábado, 8 de agosto de 2009

Fala com o Solnado

...o Raul Solnado fez-me rir muitas vezes! ... ajudou-me a aprender a rir com inteligência (...)
(devo-lhe ainda) a gratidão de me ter desenrascado um dia. Eu conto:

Em 1969/70 vi-me envolto na organização de um Sarau de Poesia , pelo Grupo Bê, dedicado a Manuel Bandeira. No ensaio geral estoiram os velhinhos projectores da Comissão Pró-Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina de Lisboa, a escassas horas da estreia. Instala-se o pânico. Alguem me diz: fala com o Solnado. Falei com o Solnado. Não faltou luz ao Manuel Bandeira.

Luciano Marmelada