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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Como tornar Lisboa uma cidade amigável, segura e inclusiva para todos?

O que podemos entender hoje por "cidade para todos"?
O que podemos entender hoje por “cidade para todos”? Esta pergunta parte de uma premissa escondida. E justa: o reconhecimento de que a cidade não é, ou não consegue, ser para todos. Quem está excluído da cidade, então? As pessoas que, em algum aspecto decisivo da sua identidade e vida, pertencem a categorias que estão excluídas do acesso, usufruto ou consumo de espaços, bens, serviços e símbolos da cidade e da cidadania(...). Uma “cidade para todos” só pode ser conseguida se se identificarem como alvos de intervenção inclusiva as categorias que se encontram material e/ou simbolicamente discriminadas, isto é, transformadas e reproduzidas enquanto minorias demográficas e/ou sociais. Não é preciso investigar muito para perceber que, à semelhança do resto do país, a marginalização e a discriminação afectam sobretudo as seguintes categorias: os pobres, as mulheres, os imigrantes, os grupos étnicos diferenciados como os ciganos, as pessoas racializadas enquanto negras, as confissões não católicas, os idosos, os deficientes, e a população LGBT(...). O município, à semelhança do estado, deve dar o exemplo – na sua política de contratação, na promoção da visibilidade das pessoas pertencentes a categorias discriminadas, na implementação de uma política de reconhecimento, na estratégia de comunicação para o público e os media. De seguida, incentivando serviços municipais dirigidos especificamente ao apoio e empowerment das identificações acima enunciadas, à semelhança do que acontece noutras cidades e regiões; alternativamente, gerando ao nível municipal aquilo que ainda não se logrou concretizar ao nível nacional: uma agência ou autoridade para a igualdade, com a capacidade de estudar, apoiar, e intervir. E, por fim, aplicando aqueles princípos de mainstreaming e a experiência recolhida do contacto directo com as populações-alvo através dos serviços referidos, à implementação de boas práticas nos vários campos de intervenção – do urbanismo à cultura, passando pelos serviços sociais(...). As cidades, sobretudo capitais, têm mais potencial para criar dinâmicas políticas inovadoras do que os países, por razões de escala e por razões de qualidade específica dos seus processos sociais (...). Em Lisboa poder-se-ia apostar nessa dinâmica, à semelhança, por exemplo, de Barcelona. Como abordar o arco de problemas e potenciais conexos que ligam pobreza, idade avançada, deficiência e fuga dos jovens da cidade, de formas que ligassem política de habitação, de apoio social, de emprego e de revitalização de bairros? (...) Certamente que são problemas e potenciais complexos. Mas o primeiro passo não deveria ser performativo? Isto é,(...) instituindo a vontade política municipal de estar pró-activamente aberta para ouvir os problemas dos discriminados, para os encaminhar para a resolução de problemas, para os convidar para a definição de políticas, para gerar em parceria boas práticas concretas, e para se anunciar, à cidadania e ao mundo, como cidade diversa, cosmopolita e apostada na Igualdade?
Miguel Vale de Almeida
Ler texto integral aqui

terça-feira, 28 de julho de 2009

(d)as "pessoas que têm menos posses" às famílias desfavorecidas...

“(...) eu também não quero governar para os carros, quero governar para as pessoas, mas são as pessoas que têm menos posses, que não têm outro forma de se deslocarem sem ser de carro, que precisam dele para levar os filhos às creches”
PSL à sic notícias
A língua é mesmo traiçoeira. Numa frase tão insignificante, o deslize "que têm menos posses" reflecte magistralmente a diferença maior entre os candidatos. É que "as pessoas que têm menos posses" acorda o carimbo paternalista de quem não quer dizer "as famílias desfavorecidas". É que este vocabulário não se aprende. Faz parte de nós como cidadãos conscientes do muito que temos pela frente.