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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Lisboa está (mais uma vez ) de parabéns

Foi ontem (15.09.2009) aprovada a proposta de classificação do Bairro Azul como conjunto urbano de interesse municipal. Fica aqui parte da proposta que deu origem a esta aprovação:

Considerando que,
(...) O denominado conjunto do “Bairro Azul” se enquadra no período de desenvolvimento “Art Deco” até à emergência do modernismo em Portugal e resulta de projectos de construtores civis, mas também de arquitectos como Manuel Joaquim Norte Júnior, Carlos João Chambers Ramos e Cassiano Viriato Branco;

Importa dar maior atenção ao Património Arquitectónico do século XX, segundo a Recomendação n.º R (91) 13 do Conselho da Europa sobre a Protecção do Património Arquitectónico do Século XX;

O “Bairro Azul” representa para a história da cidade de Lisboa um interesse indubitável, predominantemente do ponto de vista estético-paisagístico, arquitectónico e social por ser um conjunto único e consideravelmente bem preservado resultante de um projecto desenvolvido ao longo do tempo de uma forma coerente embora, com contribuições autorais diversificadas;

Do ponto de vista da investigação da histórica da cidade o “Bairro Azul” constitui um importante ponto de partida para o investigador que pretenda aprofundar e interpretar certos fenómenos de modernidade que se manifestaram na altura de âmbito social, arquitectónico e estilístico, contribuindo para um estudo sobre aquilo que se poderia chamar um ensaio sobre a Art Deco, no âmbito da arquitectura modernista da cidade;

O “Bairro Azul” é um conjunto arquitectónico de homogeneidade ímpar, com prédios de um programa burguês em gosto Art Deco, contextualizado numa fase de crescimento demográfico e de diversificação das actividades económicas, merecedor de “(…) protecção municipal para que a sua imagem patrimonial não seja alterada” (Prof. Dr. José Augusto artigo de Maio de 2002)

(...) A importância do conjunto edificado denominado de “Bairro Azul” do ponto de vista arquitectónico foi muitas vezes salientada em várias publicações, como sendo “(…) um dos exemplos mais significativos do modernismo, não só pela sua relação com o conjunto, mas também pelas suas tipologias de habitação ao nível do prédio de rendimento”; (Calado, Maria e Vítor Matias Ferreira, Lisboa, Freguesia de S. Sebastião da Pedreira)

(...) O “Bairro Azul” representa um valor cultural com significado para o Município de Lisboa que reflecte no panorama arquitectónico/histórico/cultural desta cidade valores de memória, autenticidade, originalidade e exemplaridade;

Compete aos órgãos municipais proceder à classificação de bens culturais considerados de interesse municipal(...)
Tenho a honra de propor que a Câmara delibere:

Aprovar e submeter à aprovação da Assembleia Municipal, (...) a classificação do bem cultural constituído pelo conjunto denominado de “Bairro Azul” como conjunto de interesse municipal.
Ler aqui o resto da notícia

domingo, 6 de setembro de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

(Os espaços verdes de regresso aos) jardins de Lisboa














Jardim Botto Machado renasce com nova imagem

Espaço verde no Campo de Santa Clara reabre com quiosque, esplanada e jardim infantil

Depois de anos entregue ao abandono e ao vandalismo, o Jardim Botto Machado, em Lisboa, reabriu com outras condições. Mas há quem se queixe dos cães que sujam a relva e da escasssez de casas de banho.
É um renovado espaço verde, junto ao Panteão Nacional (onde repousa Amália Rodrigues) e ao Campo de Santa Clara onde, duas vezes por semana se ergue a Feira da Ladra. Há uns meses, o Jardim Botto Machado era uma zona suja, descuidada, perigosa até. Agora reabriu com nova iluminação, novos canteiros e vegetação, um parque infantil e um quiosque com esplanada.
"Está muito mais convidativo", diz, ao JN, Vítor Agostinho, o presidente da Junta de Freguesia de São Vicente de Fora (CDU). O autarca sublinha que o objectivo, agora "é ocupar os espaços públicos para que não seja o vandalismo a ocupá-los". "Vamos ver até onde conseguimos ir e é essa a nossa preocupação", acrescenta.
A intervenção teve um custo de cerca de 260 mil euros (abaixo dos 317 mil euros previstos) que foi suportado pelas contrapartidas financeiras do Casino Lisboa, tal como confirmou, ao JN, Sá Fernandes, vereador do Espaço Público e Espaços Verdes da Câmara Municipal de Lisboa (CML).
O presidente da Junta de São Vicente lamenta que a CML "não tenha levado em conta algumas propostas nossas". Todavia, recusou-se a especificar "porque o mais importante é termos agora um jardim com muito melhores condições ".
(...) "É muito importante do ponto de vista de intervenção cultural na nossa freguesia e todos os moradores vão ganhar com isso", frisa. Ver mais aqui

CRISTIANO PEREIRA

sábado, 8 de agosto de 2009

É uma grande figura cultural que desaparece

Quando eu era menina, toda a família acorria a postar-se ao redor da rádio, quando dava o Raul com a história da «ida à guerra», e a outra que começava «O meu pai, que era um homem incapaz de impor a sua vontade fosse a quem quer fosse, um dia chamou-me e disse-me: 'Meu filho, quer queiras quer não queiras, tens de ser bombeiro v«e»luntário'
Ouvimos essas histórias centenas de vezes, tal era o poder comunicativo do intérprete, o efeito cómico e a capacidade de, em pleno salazarismo, transmitir a velada mas sensível crítica ao regime através de pensadas entoações, que alcançavam todas as classes sociais.
Depois, foi a sua interpretação no filme «Dom Roberto», inesquecível. E tantas coisas mais.
É uma grande figura cultural que desaparece.
Fico mesmo muito triste.

Maria Alzira Seixo